quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Responsabilidade Social e Sustentabilidade

Alcance da sustentabilidade*
Mauro Ambrósio
Com o fortalecimento da economia brasileira estamos acompanhando o aumento da produção industrial, principalmente no setor da indústria automobilística, que carrega consigo o crescimento de outros setores como o da indústria de pneus.

Esse segmento da economia apontou recentemente, números de ações responsáveis divulgados por instituições ligadas a ele. Uma delas, a Reciclanip, criada pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, entidade formada pelos maiores fabricantes mundiais de pneus novos, a Bridgestone Firestone, Goodyear, Michelin e Pirelli, concentra mais de 180 pontos de coleta de pneus inservíveis em todo o país. Foi criada com o objetivo de coletar e dar um destino a esses produtos.

Segundo dados desta entidade, foram recolhidos mais 140 mil toneladas de pneus, elevando para 780 mil o volume coletado desde 1999, no início do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis.

A Bridgestone, por exemplo, aponta em seu balanço social, detalhes de assuntos que dão importância como, apoiar iniciativas em prol do desenvolvimento social e esportivo; desenvolver programas que estimulam a cidadania e buscar diálogos constantes com a comunidade em seu entorno, além de promover o desenvolvimento ambiental das regiões onde atuam. Estes são elos de uma grande corrente que chamamos de sustentabilidade. São iniciativas como essas que ajudam o país a ficar no centro das atenções de investidores internacionais.

Em vários países, empresas de diversos setores vêm se empenhando para fazer parte dos índices de sustentabilidade, como o Dow Jones Sustainability Indexes (DJSI). Entre essas empresas está a estatal brasileira Petrobrás, que conseguiu no ano passado ser indicada. O DJSI é um indicador que reúne empresas socialmente responsáveis cotadas na Bolsa de Nova York.

O principal objetivo dessas companhias, assim como a nossa estatal, é tornar-se mais atrativas para os fundos que investem em empresas tidas como socialmente responsáveis, demonstrando mais transparência e credibilidade; mais governança e, por conseqüência, maior competitividade no mundo dos negócios. Nos Estados Unidos esses fundos chegam a movimentar mais de US$ 1 trilhão por ano. E para atrair a atenção dos investidores que procuram empresas socialmente responsáveis, é preciso mostrar a eles através dos relatórios de sustentabilidade que apontam as ações tomadas diante de cada stakeholders.

Como em outras regiões do mundo, o Brasil também tem o seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado pela Bovespa em 2005, quando foi composto por uma carteira de 28 empresas em seu lançamento. Essas companhias enfrentaram um processo de seleção e tiveram de responder a um questionário que avalia aspectos econômico-financeiros, sociais e ambientais.

Para a indústria automobilística e, por conseqüência, o segmento de pneus, gerar qualidade de vida é um diferencial. Portanto, a implementação de práticas e políticas de Responsabilidade Social nas empresas do segmento é de altíssimo valor agregado.
Não há obrigatoriedade legal de qualquer setor para a implementação das práticas de Responsabilidade Social Corporativa. Porém, naturalmente, há sim uma cobrança da sociedade e de todos os envolvidos.

*Extraído do site Administradores. Para acesso completo ao artigo clique em administradores.


Nossa opinião

Consideramos essas iniciativas relavantes para atenuar impactos negativos do processo de produção industrial. Porém, condição essencial é uma mudança na orientação da produção econômica, que tem gerado profunda devastação ambiental, elevada concentração de riqueza em poucos países e empresas, além de produzido grandes mazelas sociais com populações sobrevivendo em condições de risco, o que também compromete o equilíbrio sócio-ambiental do planeta.

A esse respeito concordamos com as afirmações de Wagner Costa Ribeiro, no livro História da Cidadania (Carla e Jaime Pinsk org), de que o modo de produção atual ainda se sustenta na apropriação acelerada de recursos naturais não-renováveis e na apropriação dos recursos naturais renováveis acima de sua capacidade de renovação. Logo, proclamar o desenvolvimento sustentável e a gestão responsável dos recursos e da relações de produção significa instaurar um outro modo de vida e de relação com o consumo, que determine uma produção econômica que
assuma, de fato, o compromisso com a preservação da qualidade de vida das gerações atuais e futuras. E isso é desenvolvimento sustentável!

Um comentário:

Fabio disse...

Em linha com a visão do texto, acreditamos que as ações sociais são de suma importância para o desenvolvimento de uma cultura sustentável, tão premente nos dias de hoje. Acreditamos também que as empresas precisam agir de forma mais efetiva junto ao terceiro setor, onde patrocínios têm sido a tônica destas ações. As empresas podem e devem atuar no sentido de gerar sustentabilidade através da reutilização¹ de materiais, a serem trabalhados pelos atores do terceiro setor, com o auxílio de uma empresa focada na geração de valor 360º, isto é, evoluirmos do assistencialismo e entrarmos de vez na era da real responsabilidade sócio-ambiental. Não basta "dar o peixe"; é preciso ensinar a pescar e fornecer as condições ideais para que os integrantes do terceiro setor possam gerar renda e mais oportunidades de inclusão, sem a dependência visceral do patrocínio. Isso se obtém com o desenvolvimento de ações que possibilitem que as empresas adquiram produtos úteis e de qualidade das cooperativas, associações e microempresas do terceiro setor, num círculo virtuoso de benefícios recíprocos. Essa é a nova fronteira que buscamos trazer para o mercado corporativo. Uma nova dimensão de geração de valor mútuo, sustentável e sócio-ambiental responsável.
Fábio Tardin
Sócio-Diretor da Meio Ambiente Design (www.meioambientedesign.com.br).

¹ Reutilização é processo através do qual alguns materiais são retrabalhados e transformados em novos produtos, com o mínimo de adição de matéria-prima virgem.